O Episcopado brasileiro estava reunido no Palácio São Joaquim, residência do Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro, em 14 de outubro de 1952. Nesta data, os 20 Arcebispos do episcopado, junto com o Núncio Apostólico, Dom Carlos Chiarlo, aprovaram o Regulamento, criando a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB. Escolhido como primeiro Presidente da CNBB, o Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, na época Arcebispo de São Paulo, indicou Dom Helder Pessoa Câmara para o cargo de secretário-geral, indicação aceita por aclamação.
Dom Helder Câmara foi, certamente, o grande incentivador para a criação da CNBB. Grande parte de seu ministério sacerdotal, o então Padre Helder dedicou à Ação Católica Brasileira, sendo nomeado, em 1947, seu Vice-Assistente Nacional. Esta função fez com que ele aprofundasse o conhecimento da realidade pastoral no Brasil. Unida a uma grande intuição, despertou para a necessidade de unir em Conferência os Bispos do Brasil, um verdadeiro continente com imensa e complexa problemática. Dom Helder, ainda como Padre, desenvolveu um trabalho extraordinário visando a criação da CNBB. Em 1952, com a idéia já avançada de conscientização, o Padre Helder foi eleito Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro.
Um dos fatores decisivos para a criação da CNBB foi o papel desempenhado por Monsenhor João Batista Montini, depois Papa Paulo VI, que trabalhava na Secretaria de Estado do Papa Pio XII. Foi com ele que Dom Helder tratou do assunto na Santa Sé. Outro fator foi o apoio irrestrito do Núncio Apostólico Dom Carlos Chiarlo que viabilizou os contatos entre Dom Helder e Monsenhor Montini. No Brasil, Dom Carlos promoveu encontros regionais para sensibilizar os Bispos sobre a importância e a necessidade de criação de uma Conferência Episcopal. Finalmente, a participação dos Cardeais brasileiros em apresentar oficialmente aos Bispos o projeto da CNBB e a acolhida de todos os Bispos.
Durante a 40ª Assembléia dos Bispos realizada este ano em Itaici, Indaiatuba, Arquidiocese de Campinas, a CNBB comemorou os seus 50 anos. Sem ela, a história do Brasil teria sido escrita de forma bem diferente. Comprometida com a liberdade e a justiça, sempre se colocou ao lado dos oprimidos, chamando a atenção da sociedade e do governo para a realidade do País.
Agradecendo a Deus por este rico momento, a Arquidiocese de Campinas parabeniza e manifesta sua esperança de que a CNBB continue a ser a luz que guia o rebanho do Pai rumo à sociedade anunciada e sonhada por Jesus de Nazaré.